segunda-feira, 30 de abril de 2012
# Cats - Grace Kelly
Se há coisa que me aborrece, a enorme simpatia do meu gato, com os desconhecidos. Não tem qualquer problema em saltar-lhes para o colinho descontraidamente, enquanto me olha, provocando. Sabe o quão ciumenta e possessiva sou, e com requintes de malvadez provoca-me ao receber visitas em casa. Amuo, venho para a cama, ele vem de fininho e tenta reconquistar-me. Deita-se em cima do meu peito e lambe-me a cara, o pescoço, os olhos, o cabelo, ao ponto de quase deixar-me em chaga, porque língua de felino não é menos que palha de aço, puro. Até que ponto este não será mais um plano macabro do velhaco que acolho todos os dias na minha cama, só Deus saberá?!
Para quando o meu final feliz?
A fasquia esteve sempre muito baixa, e assim mantinha-me numa zona de conforto, feliz com pouco que era o bastante...no fim das contas, o que mais poderia desejar? Um dia vi-me sem absolutamente sem ninguém, e se há alturas, com orgulho me assumo "orgulhosamente só". Há aquele dia, que por qualquer motivo, observo um homem lindo, olhos amendoados, sorriso maroto, corpo escultural e penso, é areia, muita areia para a minha camioneta. Ao meu lado, miúdas com síndroma de mongolismo, unicamente mental, passeiam-se com belíssimos exemplares por essa Lisboa.Pergunto-me, não haverá no mundo, alguém com predisposição para me amar pelo que eu sou? Para logo depois a resposta fazer-se ouvir no meu subconsciente, enquanto continuar a pedir desculpa por ter nascido, não haverá homem que me queira a seu lado. E até o gato, só se mantém fiel, porque lhe fecho a porta a sete chaves.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
O macaco que ri e o rato também....
Adoro animais. E num interessante documentário na TVI24, cientistas, concluíam que os macacos devidamente estimulados riem, sorriem ou chegam mesmo a dar grandes gargalhadas. Foi bastante enternecedor, comparar os símios a nós e realmente alguns casos era mesmo flagrante. Num outro registo, os ratos também riem, é mais difícil de captar o som, mas ficam maravilhados com a brincadeira e uma vez que parem os estímulos, dão pequenas mordiscadelas na mão do cientista, pedindo mais umas cócegas e assim divertir-se. Hoje quase não falei de outra coisa, calha-me a Cristina e a sua terapia do riso, e encontro a colega Manuela que me confidencia que o seu cão sorri com os olhos, uma coisa linda de se ver. E eu penso, o cabrão do meu gato, deve andar sempre mal disposto. Só pode ser mau feitio, porque compro-lhe a comida mais cara, fica com o melhor lugar na cama, tem total acesso à casa e eu que pague a renda e lhe limpe a merda, enquanto "o doce caramelo", ainda se peida mesmo nas minhas fuças em sinal de agradecimento. Eu acho que não há animal mais lindo no mundo que o felino, têm os olhos mais hipnóticos do reino, mas é com um prazer mórbido que nos recordam, todos os dias da nossa vida, que não valemos ponta de chavelho e que por mais que nos esforcemos, nunca seremos bons o suficiente. Ao ponto que a sua espécie, não tem razão de existir, mas eles convencem-nos apenas com aquele olhar, que o mundo fica mais bonito porque nele habitam e por isso devemos sentir-nos gratos.
Afundei...
A Cristina, conheci-a hoje, acredita que o riso é o que nos salva.Ando perdida, sempre, metafórica ou literalmente, perdida, mas gargalho muito. Sou tola, e gosto, é uma natureza que acolho com graça, porque no fundo sou a primeira a rir de mim mesma. Há porém calcanhares de Aquiles, um deles, o facto de estar há demasiado tempo sozinha. Eu gosto do meu espaço, adoro dormir com o meu gato, mas só faz sentido estarmos neste mundo para uma entrega total e quando o faço, é mesmo, sem medos e lá vou eu da pracha, lançando-me de cabeça, num belo mergulho olímpico. Quando amamos é um acto sublime, entregar numa bandeja de ouro, o coração, sem reservas. Depois de muito partilhar ideias acerca do riso com a Cristina, e de como ultrapassar as adversidades, falei-lhe desta minha frustração. Mal pode crer, uma miúda tão gira sem qualquer pretendente. Achei graça, outras pessoas sozinhas contam que lhes dizem o mesmo, bolas, há uma considerável diferença, em alguns dos casos parecem-me elogios caridosos. Lamento a imodéstia, mas aqui a gata é um naco e, portanto, eu própria acho ridiculo não encontrar um "sapatinho" para o meu pé. Disse á Cristina que era uma questão de "encalhanço. Ao que ela reformula graciosamente, a gata não está encalhada. A gata é como um barco, está simplesmente à espera que a ponte se abra para puder passar. Amarelo, foi o meu sorriso, há muito que as minhas esperanças afundaram e ás vezes até receio que o meu coração tenha virado uma pedra de gelo, pior que o do coitado do "jack" que morreu de hipótermia...mas ao menos finou-se (palavra tão à romance histórico) acreditando que o amor existe.
Afinal, o Pedro, também gostava pouco, gostava...
até podem dizer que nunca se viu tanto paneleiro como agora, não passa de uma ilusão, talvez por não serem tão "borbuletantes" passassem mais discretamente. Mesmo assim, quando se lutava por um pedaço de terra, onde abundava a miséria, a fome, as doenças e as pessoas morriam demasiado jovens, os senhores Reis gostavam de maquilhar-se, joias, e perucas. Se isto não é de panasca, vou ali e já venho! A Ana, diz-me, vês maricas em todo o lado, é um facto, estou sugestionada pela minha relação com o Guilherme. Infelizmente, e no fim das contas, tenho sempre razão, maldito "gaydar", apuradíssimo, mesmo sem querer apanha os sinais. Porque agora dei numa de bicha culta, leio romances históricos, mas atenção, só leio o da Leonor Teles, grande coirão fodilhão e gosto de um quê de promiscuidade. Em promoção, havia Inês de Portugal, a lamechice do costume, trouxe na mesma. Porque é fininho como uma fatia de fiambre, fui lendo e não é que...se revela o que o meu radar gay jamais imaginaria, então o D. Pedro, o tal da Inês de Castro, também gostava de um bom toque rectal. Diz-se que foi pelo desgosto, mas foda-se, eu tenho desgostos que se farta e não vou começar a consolar-me com patarecas.
Aqui estou eu e o gato, ele auto-brocha-se com despudor e eu vejo os crimes do Zone Reality até às 6 da manhã. Fair enough!
segunda-feira, 23 de abril de 2012
I'm a Lady....
...or not!
Chego a casa e só me quero esticar. Mas antes disso, há tanto a fazer, por onde começar? Tiro os sapatos, pego nos enlatados, atiro ao prato e micro-ondas, aproveito para ir ao escritório ligar o pc. O manjar, responsável pela minha morte prematura com um qualquer cancro está pronto, nisto já despi as calças, e vou comendo com o prato nas mãos, no corredor, vejo a conta da luz para pagar e ponho-a de parte, e lá vai mais uma garfada e bom, tenho vontade de ir à mijinha, e porque a casa é só minha e do gato, sento-me sem pudor na sanita e prato na mão e lá vai mais uma garfada. Percebo por fim, que afinal não era só o chichizinho e páro, saio do meu próprio corpo e observo-me à distância. Ali estou, arreando o calhau, nua da cintura para baixo, com um prato na mão, um garfo na outra. E em vez de pensar, que mais baixo não poderia descer, volto a mim, tentando encontrar uma solução para, naquele gráfico preparo, limpar o meu próprio rabo.
Maluca
Saio à rua em pijama, roupão e pantufas. Antes era à noitinha, agora é com dia, o sol a raiar, os vizinhos passeando os filhos. Levo pela mão apenas a chave do Ford cor de cerejinha, antes de entrar na viatura oiço alguém chamar "maluca". E, como às vezes me considero a mulher invisivel, até me dou por contente, algum vizinho de língua afiada, quem sabe, bateu o olho na minha linda figura. Olho, discreta, tentando perceber quem se trata, é na verdade uma boneca com leggins às flores, chama "Luka", o cão, que costuma roubar-me as sestas ao fim de semana. Até naquele dia, o cabrão do canuco conseguiu tirar-me o protagonismo.
domingo, 22 de abril de 2012
Opilca
A minha mãe anda doente. Nunca tira dias para ficar em casa. É de erguer as mãos aos céus de preocupação vê-la deitada, pijama, comando na mão e olhar murcho. Mesmo assim, no meio da apatia, levantou-se para colocar canja num "taparuere" e ressalvar que está cheia de carninha. E eu que ando a evitar carne só penso na desgraçada de galinha; degolada, depenada e o diabo a sete para servir o manjar. Antes de sair, canja na mão, entrega-me um pacote de bandas de cera Opilca, e com o seu olho clínico logo percebi, o buço, gata...o buço, andas tão descuidada.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Farts Are Us
Uma senhora não se peida, descai-se. Poderia dizer de mim, sempre a descair-me, mas como não sou uma senhora, peido-me e à fartazana. Há sempre muito ar dentro de mim e isso intriga-me. Às vezes penso, será que os outros também são estas bombinhas de mau cheiro, como eu? Tantas vezes me contenho, depois é pior a emenda que o soneto, e oiço o gas em revolta nas tripas, tão estridente, e desculpo-me com "É fome". Fome, uma merda! Dias há, se ingiro determinados alimentos, e estou no quarto, cada jarda sai pior que a outra. É um fedor, francamente, parece que está um cadaver a dormir a meu lado. E talvez tenha mesmo morto o coitado do gato que lá fica impavido e sereno debaixo das mantas. Durante mais de um ano, o meu gato tem sofrido, tadinho, até fazer o mesmo. No meu colinho quente, vejo-o de cauda a "dar a dar" e um cheiro terrível. O quarto ficou impestado de peido de gato e que podia eu fazer? Repreendê-lo? O meu pai ensinou-me que devemos libertar, sempre, ou o intestino ainda se embrulha e vamos desta para melhor. Somos, por isso, um casal feliz, eu e o gato, num quarto absolutamente fedorento...às vezes, nem sei se o cheiro é dele ou meu, mas neste nosso amor, assumimos o fedor, simplesmente como "nosso".
quarta-feira, 11 de abril de 2012
A cura para o sofrimento
A velhota sentada na estação. Começava a chover. Eu passava de olhos nela, e pensei, tenho uns trapitos que te ficavam lindamente. Agora, quando observo uma mulher, é sempre na perspectiva analítica. Em que te poderei ser útil? - apetece-me pôr os meus serviços a jeito. Silencio-me e passo entre a chuva. A velhota, porém, também me poderia ser útil em qualquer coisa, reforçando a fé há muito perdida. Em mim, talvez nunca a tenha tido, nos outros, nem pensar. Abre um saquinho e retira uma revista que me parece familiar, dirige-se a mim, e eu fujo a sete pés com os ouvidos entupidos pelo som dos "Morphine", procurando "A Cure For Pain".
O meu amor é um caramelo
As horas passavam, tantas voltas na cama. Ora frio, ora calor. Tapa e destapa. O gato sossegado mas eu num terrível desassossego. Levantei-me mil vezes e mil vezes me deitei. Liguei e desliguei a tv. Mudei de canal, nada parecia resultar. Sai da cama, deixei o gato e fui dormir para a pequena cama do escritório, apenas com um cobertor e a janela aberta. Nem 5 minutos depois, tinha chegado o gato, aninhou-se no meu colo, dormimos juntinhos a fazer cadeirinha. Fiquei toda torta, bati montes de vezes com a cabeça na parede e acordei às 10 da manhã com o telefone a tocar. Já deviam saber que não estou para ninguém antes do meio dia. Estava na hora de voltarmos para o quarto e dormir até às 2 da tarde.
O pombo
Essa ideia de merda que o mundo tem de odiar os pombos, irrita-me. Depois, esses "humanoides", admiram-se que lhes caguem em cima, é bem feito, uma pequeníssima vingança, comparada com as maldades que lhes fazem. Em Paris, cidade que odiei, era vê-los amputados, num estado miserável, devido aos electrochoques. Não sugiro que se corram os pombos a fraldas, mas haverá certamente uma solução, e não passará por matá-los, inventando até que transmitem doenças. A minha amiga Luísa, contou-me a história da pomba Amália, conhecida mundialmente por ter sido salva pela Melody Gardot, na sua passagem por Portugal. Hoje, na ida para o trabalho vi um pombo doente num parque de estacionamento. Passadas várias horas, voltei a passar pelo mesmo sitio e lá estava o pombo. Senti-me uma idiota impotente. O que poderia fazer por ele?? Trazê-lo para casa e servir de piteu ao gato? Levá-lo ao veterinário e rirem-se de mim? Afinal, é uma merda de um pombo! O bicho não me sai da cabeça, ao passo que certas pessoas, não as olho uma segunda vez porque não merecem o meu respeito. E outra houve, com quem perdi o meu tempo, e que agora penso...tivesse pegado realmente no pombo que precisava de mim, em vez de me desgastar com histórias delirantes com o único propósito de chantagear-me.
Comprometimentos...
Soube desde tenra idade, alianças não. Relações sérias que as tive, nem me falassem nessa possibilidade. Esclarecia logo à partida a minha forma de conceber o amor e não inclui, partilhas de tecto, anéis, filhos ou a cabeça no cepo. Hoje, a Filipa, com quem tenho vindo a estreitar relações, e jura-me a pés juntos que não é fufa, trouxe-me alguns anéis para vender. Adoro anéis e raras vezes encontro os que me agradem, tenho o problema de oxidarem com o meu suor, mesmo assim não resisti. Comprei-lhe quatro: wisdom, hope, free, love. Os lemas da minha vida, sem que isso queira dizer que venha para aqui dar moral e escrever frases bonitas para receber comentários que mais não são do que "pancadinhas" nas costas. Para isso, andam ai vocês! BITCHES!
Eu sou a bardajona que no fundo, sente-se amarrada com o raio dos anéis. Parecem-me alianças, pela cor, pelo formato, mais um bocadinho e comprava "til death do us part". Gosto deles, uso-os no momento, observo-os enquanto os meus dedos deslisam pelo teclado, mas há uma certa azia que se instala, mesmo que inconscientemente. Direi, para auto conforto, sou comprometida comigo e com os meus princípios. E mesmo que ultimamente tenha engolido alguns sapos, e olhado na cara de algumas pessoas que só desejaria vê-las evaporadas da minha vida, mantenho-me fiel.
Sobrevivência, é um conceito interessante que tenho desenvolvido com a idade....
segunda-feira, 9 de abril de 2012
I've been a bad bad girl....
Não é bonito. Todos nós temos os nossos episódios infelizes. Os meus têm sido, talvez, bastante usuais. De quando em vez, e quando se justifica, peço desculpa pelo sucedido, mas não será este o caso. Dei comigo, num comportamento compulsivo, a lembrar uma "Stalker", só faltava ter a bazuca apontada para o fulaninho. Mas é geralmente isto que acontece, quando não há tempo de dizer tudo o que pensamos, e foi o caso. Ficou tudo por dizer, e não me parece, que mudará alguma coisa, verbalizar alguma da minha indignação. Serve, egoisticamente, para libertar algum gás há muito acumulado. No meio do comboio, acedi ao mail pelo telemóvel num ataque de "ganas" e terei enviado de rajada ( e sem resposta de volta) três mails (em minha defesa, foram mails curtinhos), numa abordagem de "olha lá", entre outras expressões muito "à burgo" e que ditas, olhos nos olhos, dariam um ambiente extremamente hostil. Fiquei aliviada, mas continuo com uma mórbida vontade de atacar a pessoa por todas as vias possíveis e imaginárias. Assim perderia a razão. Já tudo foi dito (escrito), agora é deitar para trás das costas e não permitir que outros "vampiros" entrem na minha vida com um único objectivo de se alimentar da minha boa energia.
Anda ai passarinho novo....
Coloca-me papeis debaixo da porta, com o número de telemóvel e um sem número de promessas. Sou do tempo que se analisava a caligrafia, gosto de homem com letra bonita, o melhor é não ser exigente. Atabalhoado ou não, ter papelinhos debaixo da porta, lembra-me a minha amizade com a Claudia do R/C Dto. Eramos miúdas, todas as semanas nos zangavamos por um motivo qualquer, como não havia mais ninguém no prédio a não ser uns quantos velhadas, ou os putos do 3º piso, se nos apanhassem, faziam de nós carne para canhão. Tenrinhas sonhavamos com o príncipe encantado que nunca chegaria. Para fazermos as pazes, escreviamos um bilhetes "queres ser minha amiga?" com dois quadrados "sim" e "não". A tarefa, colocar a cruz na opção "sim" e voltaríamos à nossa harmonia, pelo menos durante uma semana. O David, e a sua escrita tacanha, coloca panfletos do Meo debaixo da minha porta, e de sobrenome Passarinho, fez-me sorrir. Está bem, não é nenhuma carta de amor, o senhor passarinho ficaria contente que eu deixasse a Zon, para assim ganhar uma comissão. Mas o nosso caso, não irá longe, visto que nem eu assino pelo MEO, nem ele virá comer a esta "passarinha". É uma pena...
Amigas Tóxicas
No metro, a capa da revista Happy, títulos muito apelativos. Não compro imprensa feminina, mas os títulos inspiram-me para algo que nada tem a ver com as lições de moral que se podem ler nas páginas dessa imprensa cor de rosa. Se há característica que me orgulho, pôr à borda do prato quem não constitui uma energia boa na minha vida. Confesso, num ou outro caso, tem sido difícil mandar essas pessoas "pastar", talvez porque me tenha tornado demasiado "mole". Afasto-me gradualmente, para assim o choque não ser frontal, como num acidente de grandes proporções, de fazer parar o trânsito na 25 de Abril. Não consigo deixar de acreditar, no meio da loucura de algumas pessoas, haverá algo que fará de mim um ser humano muito melhor, ao aceitá-las na minha vida, tolerando a diferença ou ( por vezes é intolerável), sentir-me ludibriada e manipulada. Ter consciência disso, já é um bom princípio, saberei à partida com o que contar (ou não). Aprender a lidar com os outros, tal qual são, mesmo que no fundo os consideremos absolutamente desequilibradas, é uma força que me ajuda a manter alguma sanidade mental (por incrível que pareça). Fossem criaturas humildes, recomendava-lhes o meu médico. Assim sendo, sou uma mera receptora das suas contradições, e se antes as tentava compreender, hoje deixei de querer saber, limitando-me a ser um mero receptáculo dos "chorrilhos" delirantes que lhes sai boca fora. Sou louca assumida, mas estou a tratar-me...não me parece haver salvação para quem não pede humildemente ajuda. Já lá vi o tempo de me insurgir, de encontrar forças em mim, a energia que ofereci gratuitamente...sem nunca ser verdadeiramente solicitada. Sou como aquele palhaço do MAC, costuma estar à porta, limito-me a estar, quem quiser senta-se a meu lado, a conversar, a brincar com a minha batatinha na ponta do nariz, mas já não dou, com a paixão que um dia dei o meu coração numa bandeja de ouro.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Mulher de bigode....
nem o diabo fode! Ouvi da boca de uma brasileira, enquanto toda "escarrachada" me depilava até ao tutano, num cenário tão deprimente como o das actrizes porno a tentar sensualidade quando nada mais é que embaraço. Foi mais ou menos o embaraço que senti, comendo o "petit gateaux" molhadinho por dentro e uma bola de gelado por fora, surge a pergunta da Ana, sobre como aprofundar "literalmente" a arte do felácio. Antes que o gelado derretesse, fiz sinal com a mão, como quem diz aguenta ai os cavalos, ao que ela continuou falando da mesma temática e eu lambia as beiçolas do negro chocolate do pequeno bolo. E só oiço a palavra "rata" para que os meus sentidos se turvem. Meus caros bloggers, eu também sou uma pessoa sensível.Digo foda-se e caralho à boca cheia (também o faço com gosto se o orgão pertencer ao homem que me roubou o coração), mas há duas palavras que não gosto e até me ferem; cona e rata.
Sobre a arte do broche, falamos noutro capítulo, se me permitem....A Ana também esperou e valeu a pena!
Putrefação
Alguma coisa havia morrido cá em casa. Desconfiei de mim própria, numa semana de horrores, alienação total e sentimento de ausência, teria morrido e esperaria a chegada do postal com a certidão de óbito? O gato, lambeu-me com o seu hálito dos infernos, senti um desejo enorme que chegasse depressa o fim de semana (chuvoso ao que parece) para aqui ficar, com o portátil no colo, o gato aos pés, o plasma na parede e eu de janelas fechadas até cima sem pinga de luz, entrando do exterior. Estava bem viva afinal, numa espécie de casa de espíritos, sem barulhos, sem o som da minha própria respiração, apenas uma luz de um ecran e algumas teclas a bater descompassadamente. Santo Deus, cheira tão mal nesta casa. Não é habitual, quem me visita, elogia o cheiro, e hoje, julgariam um cadáver escondido debaixo do sofá, dentro do guarda fatos ou quem sabe por baixo do lava loiça. Acendi velas, muitas (ainda as sinto a arder, essência de morango, óleos essenciais) e o principal, arregaçar as mangas e lavar aquela loiça imunda. Depois um pouco de lixívia no ralo e a casa voltou ao normal. Só o meu espírito, ás vezes com vontade de fugir do próprio corpo, se move numa casa demasiado grande. O gato, dorme quando eu durmo, come quando eu como e acorda quando eu acordo. Talvez sejamos dois espíritos perdidos numa casa, onde acima de tudo reina a paz.
A piça...Ricardo...deslarga-me....
O Ricardo é um querido, mas a excessiva confiança faz dele um tipo, convencido. Em muitos aspectos não é o meu tipo de homem, em tantos outros poderia ser, mas a alergia que lhe começo a ganhar leva-me a uma fuga, quase tão intensa como as que fazemos aos vendedores da cabo. O Ricardo auto-promove-se, vende-se, gratuitamente, o que é de louvar num povinho de moral tão em baixo. Tanta "cagança" tem hora! Especialmente se entende erradamente um elogio de circunstancia e aproveita para atirar uma vez mais "barro à parede", num caso crónico de mais garganta que outra coisa. Eu já lhe disse para me largar a "piça", achou que estava a brincar. Com esta cara de boa pessoa é difícil alguém levar-me a sério quando se dizem as verdades com um sorriso nos lábios. Mas detesto partir para a estupidez gratuita...a não ser que seja neste blog:)
domingo, 1 de abril de 2012
O carnaval, sem brasileiras bundonas....
É redundante dizer da minha auto-estima; baixa, rastejante, na lama - caso crónico e perdido. Não há "happy pill" que pudesse fazer por ela, o que o comprimido azul faz por um qualquer caralhito sarnento, (notem disse "caralhito para almas mais susceptíveis), erguê-lo com toda a pujança nem que por apenas 15 minutos, vá lá, meia hora. É portanto de estranhar, não ter ficado arrasada, ao ponto de partir o vidro do comboio da ponte com a própria mala (à semelhança da velha da série "Duarte e Companhia" parece que levo mesmo um tijolo lá dentro) para me atirar às mais profundas águas do Tejo e assim dizer adeus à humanidade. Vejamos, minutos antes, chego ao quiosque costumeiro para beber café, a mulata de humor volátil pergunta-me "vens mascarada a quê?" - e eu que achava estar com uma pinta descomunal, naquele momento tive a certeza absoluta. Ela rematou "diria que hoje pareces uma chinezinha". Durante o dia muitos olhos se viraram para mim, mas nunca num instante, deixei de me sentir com uma tremenda pinta, uma cidadã europeia, quem sabe caminhando pela Londres cinzentona, que adoro.
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