O Guilherme disse em tom sério, temos de matar esse gato, ele está a boicotar a tua vida. É um facto que me sinto livremente cativa a este magnífico felino. Uma prisão que me enche a alma. O Alexandre perentório afirmou do alto do seu 1m90cm, eu passava demasiado tempo entre feras de quatro patas, nenhum ser humano normal se expressa, miando, enfurecido exemplificava que não ladrava, só porque prefere cães. Mas se para o comum mortal o som mais bonito do mundo é o riso de uma criança, para mim, é o miau dengoso do meu bichano. E quando há quem me separe dele, ou pelo menos tente, doi-me o coração. Na primeira oportunidade, corro para casa e aqui fico livremente cativa deste que me devota um amor genuíno, apenas com um esgar cheio de orgulho e vaidade (para dar e vender), consegue dar-me mais do que outros com um punhado de palavras tiradas de um romance de cordel.
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quarta-feira, 6 de junho de 2012
segunda-feira, 30 de abril de 2012
# Cats - Grace Kelly
Se há coisa que me aborrece, a enorme simpatia do meu gato, com os desconhecidos. Não tem qualquer problema em saltar-lhes para o colinho descontraidamente, enquanto me olha, provocando. Sabe o quão ciumenta e possessiva sou, e com requintes de malvadez provoca-me ao receber visitas em casa. Amuo, venho para a cama, ele vem de fininho e tenta reconquistar-me. Deita-se em cima do meu peito e lambe-me a cara, o pescoço, os olhos, o cabelo, ao ponto de quase deixar-me em chaga, porque língua de felino não é menos que palha de aço, puro. Até que ponto este não será mais um plano macabro do velhaco que acolho todos os dias na minha cama, só Deus saberá?!
segunda-feira, 19 de março de 2012
# Cats - Zeca Afonso
Andava na faculdade e tinha a mania que as mulheres queriam-se com a depilação por fazer e pêlos nas axilas. Um dia soube que se dizia nas minhas costas "fufa comuna", fiquei lixada por acharem que alguma vez pudesse votar no partido comunista. Aliás, falar nisso, é meio caminho andado para o síndroma "Diácono Remédios", gaguejo e fico fora de mim, mas para tudo há uma explicação.Ora o meu pai é todo "Cunhalista" (acho que acabei de inventar um novo conceito) eu só posso ser contra, na verdade, dizia que as sobrancelhas do Álvaro Cunhal faziam-me lembrar o Alf. A conversa "esses bandidos, era vê-los todos pendurados", lá se dissipava com o bicharoco que supostamente vinha de outro planeta e riamos um pouco. O Zeca tinha Coimbra no coração, também eu, e pelos vistos a mesma paixão pelos felinos, só por isso vale a pena estar aqui. E sim, era um belo poeta e tinha uma voz que ganhava pela fragilidade e subtileza. O resto...o camarada, a foice, o martelo... I really don't give a shit!
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
#Cats - Drew Barrymore
É verdade que gosto da exclusividade no seio do meu gato, mas agasta-me a sua constante necessidade de atenção, tanta que chega a cometer loucuras apenas para ter de mim, nem que seja um grito. Adoro as suas massagens nos meus pés, mas os seus ímpetos sexuais já paravam, até porque eu também ando carente e não vou a público lamber as partes íntimas. Por isso, trouxe ao gato, uma verdadeira gata. Linda, de família, amada pela sua placidez e meiguice, o gato não descansou enquanto não a colocou porta fora.
E cá estou no meu martírio. Doce caramelo abusa da minha paciência e do meu corpo. Pertenço-lhe e não há nada a fazer...
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
# Cats - Keira Knightley
Voltando a mim, lentamente. É isso que sinto. Pelo menos hoje, tive essa clara percepção. Durante meses a fio, deixei de gostar, simplesmente sobrevivia sem paixão por nada e até a minha cama já me era sitio pouco grato. Queria deixar de ser aquela e voltar a ser eu, a que amava, amar.
A sério, estava paranóica, liguei ao médico numa crise de nervos; o que raio se passa comigo?? - perguntei - colocando em cima da mesa uma série de possibilidades que ele naturalmente descartou. Talvez seja interessante deixar de ser a habitual anormal, e reflectir sobre uma problemática séria e que há por ai aos pontapés, casos infelizmente não diagnosticados. Sofro de epilespia do lobo temporal, não é nenhum bicho de sete cabeças, mas a medicação errada pode desfazer-nos a cabeça em água. Quer dizer, não tenho ataques, nem espumo da boca, nem fico delirante ou sequer rebolo pelo chão. Aparentemente sou a pessoa mais saudável do mundo, à parte daquela coisinha que está ali, mexe-me com o sistema nervoso, não sei ao certo o que é, não se vê, não doí, é dificil de explicar, mas continua ali, tipo moinha.
De acordo com o médico, estava com uma sobre dosagem para a actual massa corporal, que se reflectia num total alienamento ou em grosso modo, bruta que nem uma porta. Dificuldade de concentração, desinteresse geral, incapacidade de apreensão e um certo desanimo. Curiosamente, o meu cérebro voltou àquele burburinho de sempre, ideias e mais ideias, uma vontade enorme de escrever, criar, produzir, ser o que sempre fui desde com apenas 10 anos junto à máquina de escrever, imaginava os primeiros romances e esfolava os dedos a cada letra.
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