A fasquia esteve sempre muito baixa, e assim mantinha-me numa zona de conforto, feliz com pouco que era o bastante...no fim das contas, o que mais poderia desejar? Um dia vi-me sem absolutamente sem ninguém, e se há alturas, com orgulho me assumo "orgulhosamente só". Há aquele dia, que por qualquer motivo, observo um homem lindo, olhos amendoados, sorriso maroto, corpo escultural e penso, é areia, muita areia para a minha camioneta. Ao meu lado, miúdas com síndroma de mongolismo, unicamente mental, passeiam-se com belíssimos exemplares por essa Lisboa.Pergunto-me, não haverá no mundo, alguém com predisposição para me amar pelo que eu sou? Para logo depois a resposta fazer-se ouvir no meu subconsciente, enquanto continuar a pedir desculpa por ter nascido, não haverá homem que me queira a seu lado. E até o gato, só se mantém fiel, porque lhe fecho a porta a sete chaves.
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segunda-feira, 30 de abril de 2012
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Afundei...
A Cristina, conheci-a hoje, acredita que o riso é o que nos salva.Ando perdida, sempre, metafórica ou literalmente, perdida, mas gargalho muito. Sou tola, e gosto, é uma natureza que acolho com graça, porque no fundo sou a primeira a rir de mim mesma. Há porém calcanhares de Aquiles, um deles, o facto de estar há demasiado tempo sozinha. Eu gosto do meu espaço, adoro dormir com o meu gato, mas só faz sentido estarmos neste mundo para uma entrega total e quando o faço, é mesmo, sem medos e lá vou eu da pracha, lançando-me de cabeça, num belo mergulho olímpico. Quando amamos é um acto sublime, entregar numa bandeja de ouro, o coração, sem reservas. Depois de muito partilhar ideias acerca do riso com a Cristina, e de como ultrapassar as adversidades, falei-lhe desta minha frustração. Mal pode crer, uma miúda tão gira sem qualquer pretendente. Achei graça, outras pessoas sozinhas contam que lhes dizem o mesmo, bolas, há uma considerável diferença, em alguns dos casos parecem-me elogios caridosos. Lamento a imodéstia, mas aqui a gata é um naco e, portanto, eu própria acho ridiculo não encontrar um "sapatinho" para o meu pé. Disse á Cristina que era uma questão de "encalhanço. Ao que ela reformula graciosamente, a gata não está encalhada. A gata é como um barco, está simplesmente à espera que a ponte se abra para puder passar. Amarelo, foi o meu sorriso, há muito que as minhas esperanças afundaram e ás vezes até receio que o meu coração tenha virado uma pedra de gelo, pior que o do coitado do "jack" que morreu de hipótermia...mas ao menos finou-se (palavra tão à romance histórico) acreditando que o amor existe.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
I'm a Lady....
...or not!
Chego a casa e só me quero esticar. Mas antes disso, há tanto a fazer, por onde começar? Tiro os sapatos, pego nos enlatados, atiro ao prato e micro-ondas, aproveito para ir ao escritório ligar o pc. O manjar, responsável pela minha morte prematura com um qualquer cancro está pronto, nisto já despi as calças, e vou comendo com o prato nas mãos, no corredor, vejo a conta da luz para pagar e ponho-a de parte, e lá vai mais uma garfada e bom, tenho vontade de ir à mijinha, e porque a casa é só minha e do gato, sento-me sem pudor na sanita e prato na mão e lá vai mais uma garfada. Percebo por fim, que afinal não era só o chichizinho e páro, saio do meu próprio corpo e observo-me à distância. Ali estou, arreando o calhau, nua da cintura para baixo, com um prato na mão, um garfo na outra. E em vez de pensar, que mais baixo não poderia descer, volto a mim, tentando encontrar uma solução para, naquele gráfico preparo, limpar o meu próprio rabo.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Amigas Tóxicas
No metro, a capa da revista Happy, títulos muito apelativos. Não compro imprensa feminina, mas os títulos inspiram-me para algo que nada tem a ver com as lições de moral que se podem ler nas páginas dessa imprensa cor de rosa. Se há característica que me orgulho, pôr à borda do prato quem não constitui uma energia boa na minha vida. Confesso, num ou outro caso, tem sido difícil mandar essas pessoas "pastar", talvez porque me tenha tornado demasiado "mole". Afasto-me gradualmente, para assim o choque não ser frontal, como num acidente de grandes proporções, de fazer parar o trânsito na 25 de Abril. Não consigo deixar de acreditar, no meio da loucura de algumas pessoas, haverá algo que fará de mim um ser humano muito melhor, ao aceitá-las na minha vida, tolerando a diferença ou ( por vezes é intolerável), sentir-me ludibriada e manipulada. Ter consciência disso, já é um bom princípio, saberei à partida com o que contar (ou não). Aprender a lidar com os outros, tal qual são, mesmo que no fundo os consideremos absolutamente desequilibradas, é uma força que me ajuda a manter alguma sanidade mental (por incrível que pareça). Fossem criaturas humildes, recomendava-lhes o meu médico. Assim sendo, sou uma mera receptora das suas contradições, e se antes as tentava compreender, hoje deixei de querer saber, limitando-me a ser um mero receptáculo dos "chorrilhos" delirantes que lhes sai boca fora. Sou louca assumida, mas estou a tratar-me...não me parece haver salvação para quem não pede humildemente ajuda. Já lá vi o tempo de me insurgir, de encontrar forças em mim, a energia que ofereci gratuitamente...sem nunca ser verdadeiramente solicitada. Sou como aquele palhaço do MAC, costuma estar à porta, limito-me a estar, quem quiser senta-se a meu lado, a conversar, a brincar com a minha batatinha na ponta do nariz, mas já não dou, com a paixão que um dia dei o meu coração numa bandeja de ouro.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Mulher de bigode....
nem o diabo fode! Ouvi da boca de uma brasileira, enquanto toda "escarrachada" me depilava até ao tutano, num cenário tão deprimente como o das actrizes porno a tentar sensualidade quando nada mais é que embaraço. Foi mais ou menos o embaraço que senti, comendo o "petit gateaux" molhadinho por dentro e uma bola de gelado por fora, surge a pergunta da Ana, sobre como aprofundar "literalmente" a arte do felácio. Antes que o gelado derretesse, fiz sinal com a mão, como quem diz aguenta ai os cavalos, ao que ela continuou falando da mesma temática e eu lambia as beiçolas do negro chocolate do pequeno bolo. E só oiço a palavra "rata" para que os meus sentidos se turvem. Meus caros bloggers, eu também sou uma pessoa sensível.Digo foda-se e caralho à boca cheia (também o faço com gosto se o orgão pertencer ao homem que me roubou o coração), mas há duas palavras que não gosto e até me ferem; cona e rata.
Sobre a arte do broche, falamos noutro capítulo, se me permitem....A Ana também esperou e valeu a pena!
Putrefação
Alguma coisa havia morrido cá em casa. Desconfiei de mim própria, numa semana de horrores, alienação total e sentimento de ausência, teria morrido e esperaria a chegada do postal com a certidão de óbito? O gato, lambeu-me com o seu hálito dos infernos, senti um desejo enorme que chegasse depressa o fim de semana (chuvoso ao que parece) para aqui ficar, com o portátil no colo, o gato aos pés, o plasma na parede e eu de janelas fechadas até cima sem pinga de luz, entrando do exterior. Estava bem viva afinal, numa espécie de casa de espíritos, sem barulhos, sem o som da minha própria respiração, apenas uma luz de um ecran e algumas teclas a bater descompassadamente. Santo Deus, cheira tão mal nesta casa. Não é habitual, quem me visita, elogia o cheiro, e hoje, julgariam um cadáver escondido debaixo do sofá, dentro do guarda fatos ou quem sabe por baixo do lava loiça. Acendi velas, muitas (ainda as sinto a arder, essência de morango, óleos essenciais) e o principal, arregaçar as mangas e lavar aquela loiça imunda. Depois um pouco de lixívia no ralo e a casa voltou ao normal. Só o meu espírito, ás vezes com vontade de fugir do próprio corpo, se move numa casa demasiado grande. O gato, dorme quando eu durmo, come quando eu como e acorda quando eu acordo. Talvez sejamos dois espíritos perdidos numa casa, onde acima de tudo reina a paz.
sábado, 31 de março de 2012
A mulher que comeu um sapato
Li, fonte segura, numa das Grandes Guerras houve um homem conhecido por ter comido "o seu próprio sapato de couro", tal era a fomeca. Lembro-me desta história macabra pela altura, fascinada, esventrei a vida de Alex Supertramp, o tipo que deixou a civilização, para se embrenhar pelo mato, em pleno Alasca. Iludido, cria, sozinha contra o mundo, estar a salvo, até dos desafios que a própria natureza lhe iria colocando diariamente. O livro é «Into The Wild», um dos meus favoritos, originou o filme de Sean Penn, que respeita na íntegra a vida de Alex, factualmente se chama Christopher, morto na completa solidão do Alasca. Hoje considerado, um herói ou um idiota, é difícil a indiferença ao tipo que no auge da revolta, queimou as últimas notas na sua posse, para se tornar ermita. Bom, Alex, Christopher, não foi o homem que comeu o seu sapato, mas no livro, contam-se vários episódios de pessoas que levam a sobrevivência até ao limite. Mas eu, fui, a mulher que comeu o sapato, e não há muito que pensar, de heroína nada tenho, sou portanto, a idiota. Comi um lindo sapato "vintage" da Hussel, enquanto via no youtube uma entrevista da Whitney Houston no Oprah Show. Não foi bonito, tão bela peça de arte, morrer de forma tão deprimente, algures numa cama com lençóis cheios de borboto, na boca de uma sujeita de pijama desparceirado e com um carrapito no cabelo.
terça-feira, 20 de março de 2012
E foi o fim do mundo....em meias...
Para que existem as promessas?
Para as corrompermos, claro. Eu sou corrupta de mim mesma, da moral e dos princípios incutidos pelos meus paizinhos, bem à fadista (porque é património)....coitadinhos. Poderia ser o discurso da minha consciência porque prometi remeter-se ao celibato este ano e efectivamente, não cumpri. Pronto, os mais críticos da gata, mas que adoram vir aqui espiolhar dirão, pronto, andou a foder e vem para aqui espalhar a notícia. Bom, essa não é propriamente a grande notícia, facto é que fiz "o mais lindo do amor" da forma mais ridícula, absurda, vergonhosa, porém...divertida, que possam imaginar. Nós mulheres somos as primeiras a atacar os homens e a obsessão das meias na cama, então e se as meias fizerem parte do cenário? É estúpido, para mais se forem como as minhas, cheias de cores e a chegar aos joelhos. O que poderei dizer de mim, com tanta agilidade, pois quando se gosta faz-se com muito gosto, serei a nova Teresa Ricou formada no Chapitô, para mulher palhaça, só me falta o nariz vermelho em forma de batata.
terça-feira, 6 de março de 2012
O peito do amigo...
Sábado só me apetecia chorar. Não sai de casa, nem de cama, tudo escuro. Só eu e o gato. É bom, mas ele não tem patinhas que cheguem para me enlaçar. Às vezes, coloca aquela garras peludos de volta do meu pescoço. Naquele dia, só queria uns braços maiores que os meus, um peito onde pudesse deitar a minha cabeça, as minhas lágrimas caíssem sem vergonha, houvesse ranho, quem sabe um pacote de lencinhos ensopados, e um "enrolanço" cúmplice. É para isso, e para dizer que somos uma das mulheres mais bonitas e interessante que conhece, que o tal amigo gay serve. Naquela momento, precisava da minha bichinha, mas trabalhava para os seus luxos cheios de futilidade e eu perdia o meu tempo, deprimida, por uma futilidade tão maior.
Atum e Papel-Higiénico
Que mais precisa uma mulher moderna para ser feliz!
Porque o mês não está a correr muito bem, há que recorrer a medidas extremas, assaltar a casa dos pais em busca de mantimentos. Até no pedir sou pobre, limitei-me às latinhas que fazem a minha vida valer a pena, atum, juntamente com uma grãozada. E o papel higiénico? Nunca pode de maneira alguma faltar neste lar disfuncional, onde há uma semana ninguém consegue passar no Hall de entrada tal é o caus. Antes de colocar em prática o plano de roubar rolos no trabalho, e porque não gosto de entalar os colegas, esses grandes "cagões", brutais utilizadores de papel...a Carmen lá diz indignada, burrifo limpa vidros numa mão e pano do pó na outra, deve andar alguém a levar rolos para casa. Ora eu não sou, nem papel....verdinhas, nem o branquinho, tão fino que se o jeito fôr pouco...borrou....
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
É por isso que vale a pena ser mulher...
A Ana ligou-me, histérica. Colocou-me a par das cusquices no trabalho, as intrigas, o drama, a conspiração. Durante sensivelmente 45 minutos com o telefone entre o ombro e a orelha, aparei as sobrancelhas, depilei a "patareca", tirei a maquilhagem, hidratei a pele, lanchei, dei de comer ao bichano e fiz uns quantos uploads há muito prometidos. A Ana terminou, linda, amanhã ligo-te, disse. Bom, um montão de tarefas haverá concerteza aguardando um telefonema que requer tão grande exclusividade em atenção.
domingo, 29 de janeiro de 2012
É um frescor...
Desde que fiquei a par das promiscuidades nos sanitários públicos, só recorro em último caso, com a postura de "cega, surda e muda". Uma casa de banho na estação de comboios, não antevia nada de bom, mas tal era o aperto que só me faltou correr mal encontrei o WC das senhores. Depois de muito bem limpar os rebordos da sanita, lá me sentei e observo a porta, local de tanta poesia de ocasião. Nada. A porta estava imaculada, havia no entanto, desbotada a seguinte frase "este lugar é imenso" e eu sorri, não fazia ideia a que se referia, nem tão pouco concordaria, mas tal singeleza bateu-me, assim como um feixe de água fria a bater-me nas "bordas" quando puxo autoclismo.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Criancinhas, o melhor do mundo...
No café do costume, duas senhoras falavam na inevitabilidade da maternidade, assim às três pancadas meti-me na conversa. Fiz-lhes saber que nem todas as mulheres sonham ser mãe e para mim, os miúdos são realmente o melhor do mundo, especialmente nos colinhos de seus papás. "Deus castiga", deixou claro uma das interlocutores. Maldição e castigo divino seria ver-me trocar fraldas e espalhar talquinho no rabinho do menino.Horas mais tarde, dois diabretes penduraram-se no meu pescoço "vá lá gata, vem jantar connosco...vá lá vá lá..."
domingo, 22 de janeiro de 2012
A inocência não tem idade...
Caminhávamos por Lisboa, a um passo tão lento, pura levitação. Podia ser a Lisboa Queiroseana, e eu, vestido de época, espartilho, um grande chapéu na mão a proteger-me da luz do sol. Ele faz-me sentir de outro tempo, diz que também não sou daqui, mas quando o oiço falar de amor, usando expressões como "carne da minha carne", pareço uma menina afrontada, que arfa à brisa do virar de cada página de um qualquer clássico de Shakespeare. Desta vez não é nos livros, nem na tela, ele está ali mesmo à minha frente e eu controlo a respiração. Não quero que me julge asmática.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
A Carmo
Mulher trabalhadora, Carmo, loira platinada, eye liner de fazer inveja à Cleopatra, meias de renda e crocks cor de rosinha. De esfregona na mão, leva o lixo todo à frente, com uma paixão desmedida. A Carmo, conta tantas vezes que é estilista, mas quis o destino que agora faça limpezas. Quase 60 anos em cima do lombo, compulsiva em compras, com dividas espalhadas por todos os bancos, Carmo pode chorar, lastimar-se, mas não deixa nunca que lhe roubem o brilho do olhar ou que a maquilhagem fique borrada. A Carmo, tem outra obsessão, espelhos e vidros, de pano em riste, limpa com a mesma genica de quem se quer ver livre das dívidas. As dedadas lá ficam, as contas por pagar também e a Carmo, sempre impecável. Adoramos a sua excentricidade, senhora de voz rouca e jeito simples, espalha boas energias. Por maldade há quem a chame de Bonnie Taylor e realmente vê-la aos caixotes com luvas de plástico e por cima no dedo anelar um verdadeiro cachuco a luzir no meio da porcaria...foi o total eclipse...do meu coração.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Faz mal ao cérebro da gente...
o Fashion TV é coisa que deveria ser proibida. Só hoje me apercebi quando parei nesse antro de esqueletos andantes e destacavam a dupla Dolce & Gabbana. O que seria um canal de transição para, quem sabe um Zone Reality, tornou-se numa escolha quase definitiva. Não conseguia parar de ver, porque os manequins sucediam-se com uma rapidez surreal, e eu queria saber que modelito viria depois, mais dourados, manteria os brancos, afinal não, a surpresa com um vestido longo preto.
WTF???
"Miúda, muda já de canal, daqui a pouco estás a comprar a Vogue porque é o expoente máximo da literatura internacional".
Já não me fica nada bem comprar algumas revistas porque oferecem malas, quanto mais....
Três é multidão!
Uma cama granjola em tons prateados. Mantas, mantinhas, lençóis polares. Está-se quentinho por aqui. A luz que reflecte é roxa, da parede, do candeeiro, dos livros. Os personagens: eu, o gato e um rolo de papel higiénico. Neste cenário idílico entre quatro paredes, parece haver algo a mais, talvez a maldita constipação que há mais de uma semana não me larga. Hoje o gato decidiu que esta relação a três não podia continuar, e por isso, esfarelou o rolo, porque o ninho é só nosso. Deitou-se em cima do meu peito, o focinho no meu pescoço e descansou enquanto soltava um longo "grrrrrr". Sou apenas sua, mas a maldita constipação anda-me sempre a piscar o olho e quando tive de espirrar, o felino fugiu de mim como o diabo da cruz....
sábado, 14 de janeiro de 2012
Senhor doutor...
Cada vez que entro na casa dos meus pais, quase tenho um treco, lá está o meu pai de óculos de Sol, qual Amália, sentado no sofá de perna cruzada e a ver TV.Desta vez o horror chegou pelo telemóvel, raios, nunca me liga, a não ser que haja um sério problema. Ele achava que tinha a solução para todas as minhas questões existenciais quando me informou que a casa mesmo ao lado, porta com porta, estava disponível para alugar. O que ainda não se terá consciencializado é que o motivo pelo qual sai de casa foi para não lhe ver mais as fuças, haveria de ser lindo, ele à janela ganhando calos nos cotovelos enquanto fumava cigarro atrás de cigarro e contabilizava os "gandulos" que entravam porta dentro...
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
O amor acontece...
mesmo quando estamos à beira de um ataque de nervos. Digo, eu, passei talvez um dos mais enfermos Natais que me lembro, enfiada na cama, com um só desejo, ter paz e silêncio de espírito. Todos os anos gracejo com o facto do meu pai estragar o nosso Natal, aliás ele é pródigo em amuar nessa altura, e se por acaso nos dá uma benece na época natalina então, é certo que o ano novo será catastrófico e até as 12 passas prometem deixar-nos com azia. Pois este ano, todos estavam bem dispostos, gracejavam em voz alta, ouviam-se as panelas na cozinha, tudo como se quer numa família funcional. Mas eu era o elemento disfuncional da consoada, depois de 3 drunfos seguidos, uma soneca até à meia noite, acordei e percebi que pelo primeiro ano tinha sido a desmancha prazeres.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Coleccionador
O Guilherme é um exímio coleccionador de pessoas. Lembro quando tive o primeiro gato, pardo, logo quis ter outro, e segui numa paixão desmedida coleccionando felinos de várias cores. Fazê-lo com pessoas, é meio sórdido, ouvir falar do carequinha, do gordinho, do loirinho, quase lembra o desfile de gatos que há lá por casa. Lá me vou rindo com as histórias do Guilherme, e como se descarta de alguns elementos da sua colecção. Uns porque cheiram de alfazema, outros gostam de música indie, e há os que simplesmente são demasiado sensíveis, a lembrar quase uma mulher. Na colecção do meu querido amigo, há certamente um défice feminino, sinto-me o novo cromo da sua colecção. Olha-me fascinado, diz estar a escrever um conto sobre mim, e dá-me a sensação que até nem se importava de fazer um "test drive" para desenjoar. Isto não me agrada mesmo nada, o Guilherme é um doce, mas sem dúvida um yogurt estragado.
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