quinta-feira, 7 de junho de 2012

No more Nice Girl!

Não sei que raio a Cristina fez comigo. Três consultas, apenas. E despachou-me com uma pinta do caraças. À hipnoterapeuta de formação, disse-lhe olhando fundo naqueles olhos azuis cor do céu, eu não acredito nestas tretas, mas como tenho umas quantas "gavetas" desarrumadas, este é talvez o último recurso. Três consultas, conversa, troca de ideias, e a tipa não lançou nenhum pêndulo frente aos meus olhos, não me adormeceu, não me deixou a falar para o ar como se tratasse de uma lunática rodeada de amigos imaginários ou fantasmas escondidos no armário. Nada. Um dia acordei e o meu cérebro parecia em "reboot" e o que sou mantém-se, porque não quero deixar escapar a minha ingenuidade e saltar para o reino cinzentão dos adultos. Mas se raras vezes tirei os pés do chão, agora sei, não devo caminhar por areias movediças ou terrenos empoeirados. Nunca neguei, sou uma gata da cidade, gosto da calçada limpa e acho que cada um deve limpar a merda do seu próprio cão. Levem um saquinho no bolso, sim? A armadilha comigo já não funciona e não voltarei a cair na vossa merda!

Como "desamigar-te" da minha vida?

Indignada, a Filipa, assumiu-se na condição ostracizada, ganhando o título "desamigada" no Facebook. Respondi ao post, erguendo o dedo e sem vergolha, "hey eu sou a rainha dos "desamigados", escrevi. Sorrateiramente, como quem não quer a coisa, lá despacho mais um ou outro, que me pesam no número de "amigos", gente (julgo de carne e osso) mas nunca vi mais gordos. Era tão mais fácil, no mundo real, pudesse clicar num botão e "remover amizade", ainda com direito a item para breve explicação. Iria directa ao ponto; desejo "desamigar-te", porque não te amo mais, não te quero mais na minha vida, pesas-me como um fardo que colhi sem dar conta. Acrescentaria ainda no motivo, dizes que te canso, e eu que ando cansada de ti há pelo menos meio ano, cada abraço é um amargo de boca, cada palavra da tua boca parece-me mais uma charada de um puzzle Hello Kitty.

É ou não É?


O médico, mais perspicaz que os demais, confirmou excesso de hormona masculina no meu sistema. Eu não fiquei nada surpreendida, explica até muita coisa, incluindo a minha certeza que o mundo seria um sitio muito melhor se nos amassemos pelo que somos e não pelo sexo que representamos. Apaixona-me a androginia, o híbrido, o que todos julgam como certo e no fim das contas é o revés. 

Então mas é um homem que parece mulher? A nenhum homem a gravata assenta tão bem como àquela mulher!

Sou no entanto, a primeira a recriminar-me, pertencendo ao largo grupo de indivíduos que gerem os seus pares com um apuradíssimo radar, capta apenas o que interessa e o que apraz à vista. 

Então gata, como ficamos, perguntarão? É a natureza humana, respondo, eu sou um animal, e lá porque sou uma quatro patas não se julguem diferentes de mim....shame on you.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

# Cats - Jane Birkin


O Guilherme disse em tom sério, temos de matar esse gato, ele está a boicotar a tua vida. É um facto que me sinto livremente cativa a este magnífico felino. Uma prisão que me enche a alma. O Alexandre perentório afirmou do alto do seu 1m90cm, eu passava demasiado tempo entre feras de quatro patas, nenhum ser humano normal se expressa, miando, enfurecido exemplificava que não ladrava, só porque prefere cães. Mas se para o comum mortal o som mais bonito do mundo é o riso de uma criança, para mim, é o miau dengoso do meu bichano. E quando há quem me separe dele, ou pelo menos tente, doi-me o coração. Na primeira oportunidade, corro para casa e aqui fico livremente cativa deste que me devota um amor genuíno, apenas com um esgar cheio de orgulho e vaidade (para dar e vender), consegue dar-me mais do que outros com um punhado de palavras tiradas de um romance de cordel.

terça-feira, 5 de junho de 2012

O Enterro da gata persa


Já estava decidido. Falei com algumas pessoas que conhecem a identidade da gata e revelei que deixaria de andar por aqui uns tempos, longos. Precisava viver e o que dispensaria em palavras não reaveria em experiência sentidas lá fora, com o sol a bater-me na pele e os sorrisos soltos pelas ruas entre amigos que me querem bem. Mas essa não era a verdadeira razão para deixar este espaço, pelo menos por um tempo que defini, longo. O meu duelo constante com a escrita cansava-me até aos ossos e se escrever faz parte de quem sou, quando o processo se torna numa batalha, mais vale guardar a viola no saco. Alguém, de grande importância na minha vida disse-me, escreve. O quê, perguntei. Escreve, ordenou. Pelo que ainda não é desta que a gata ficará sete palmos abaixo da terra. Escrevo, aqui, acoli. Com ou sem identidade desvendada, escrevo, sobre o que me der na real gana. Ela ordenou e eu sou uma serva aos seus mandos e desmandou, porque sei que me quer bem. Por agora é tudo, um até já:)

quarta-feira, 9 de maio de 2012

I'm so Fucking Carrie...


 ...que até chateia.

Carrie Bradshaw, claro está. Até a paixoneta pelo bailarino russo, o ex-namorado meio trengo, a paixão pelos sapatos, a escrita algo catastrófica, a puta da solidão, uma cidade que ama até mais não e um punhado de bons amigos. So far, so good! Carrie, não cozinha, nem eu. Desde que descobri a caixinha de ovos na loja "casa", coze ovos em 20 segundos no micro-ondas a minha vida, ganhou francamente ainda mais qualidade. E se a única coisa que o meu fogão via, era a panelita (de quando em vez), é oficial que virou peça de museu. Percebo-o, quando sentada a comer uma sopa de plástico, o gato à janela apanhando o sol, noto que pendurei um quadro mesmo ao lado do fogão. Absurdo? Não! Vai ficar com gordura, até pode encendiar-se?! Qual quê, eu sou uma mera turista na minha própria cozinha e ao que parece, o sitio virou uma espécie de Louvre do burgo.

A magia de um pincel, dois ou três...


Eu sorria. Mas sorrio muito. Naquele dia tinha um sorriso parvo, parecia que estava apaixonada, dizia a Ana. Não estava, mas ninguém me arrancava o raio do sorriso dos lábios e dentola em grande evidencia lá estava eu. 

- Você hoje tem qualquer coisa diferente! - Insiste a Ana.

- Tenho um pincel novo. Afirmo.

A vida de uma mulher pode ser tão melhor quando, tem...não um, mas dois pincéis, comprados na Sephora. Um para o corrector de olheiras e outro para a sombra. É claro que a Manuela lembrou o nosso primeiro ponto de encontro. Sim, temos um passado, a nossa história de amor, começou precisamente, à porta da loja, Zé Pincel....

terça-feira, 8 de maio de 2012

Senhor, arranje uma vida, sim?


A gata recebeu um e-mail. Miauuuuuu....ficou contente, claro. À parte de saber que se vai falando mal dela, pelo seu "mau francês", nunca houve feedback directo. A gata, com suas patinhas delicadas abre a correspondências e as unhas viram garras, os bigodes tensos, o lombo eriçado...que merda é esta??? Vejamos, um senhor, reclamava "direitos de autor" numa imagem que digitalizou de um livro amplamente conhecido. Limitei-me a mudar a imagem para uma que esteja devidamente identificada do site wook, porque na verdade o individuo achava-se merecedor de um link autoral para o seu respectivo blog. Será que ainda não percebeu que isto por aqui é um antro de Putedo, ó Sr. Alfredo? Não fica bem a ninguém, andar por estas bandas...

Comida por Puta...


Uma mulher tem de ouvir com cada coisa! No outro dia, o escândalo, afinal "tipa" quer dizer puta. Não sei em que dicionário, mas por acaso eu sou uma "tipa bem fixe" e puta só mesmo quando me fodem o juizo! Numa outra ocasião conversa informal, jantar, ovos, salsichas e batatas fritas "isso é comida de putas". É caso para dizer que a mulher é puta, por ser...e por não ser. Mas já que se fala nisso, uma das maiores "putas" da história do cinema pornográfico, Linda LoveLace, figura que muito contribuiu para o aperfeiçoamento do felácio por esse mundo. Isto sim, uma puta que sabe fazer as coisas como deve ser, infelizmente, não soube viver.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A Flor de Estufa


Sou eu, a que não pode apanhar, frio ou calor, tudo serve para lhe alterar os humores e as vontades. Ingeri farmácia inteira, entro de férias para a semana e não quero fazê-lo fanhosa, mas o meu corpo sente, toda eu sinto que não estou bem. O que fazer, pergunto à mãe, a mulher que sempre soube todas as respostas às minhas inquietações. Chazinho quente. Assim fiz, o chá, os comprimidos, as pastilhas efervescentes, os rebuçados para a garganta, tudo em sintonia. Eu deitada, mais morta que viva, o gato em cima do meu peito, supervisionando-me, uma espécie de enfermeiro sem bata branca mas de unhas afiadas. É amoroso sim, se não soubesse que enterrou a primeira dona. Em fase delirante, olho-o e penso, sai daqui gato do demónio, estás a ver se já despachaste mais uma ??? Ele tem uma missão, mas eu vou dar-lhe a volta, porque já fiz planos para o meu dia de anos, passado com gente boa, a comer que nem uma alarva e o meu bolinho vai ser um cupcake gigante cheio de cremeeeeeeee....o gato nem julgue boicotar-me! Nem penso duas vezes, vai directo ao tacho e vira coelho à caçador....