Ontem um amigo dizia para o outro em tom de condenação, tu só gostas dessas cabras carentes. Senti uma alfinetada. Mal sabiam que escutava, mas analisando o meu percurso, em traços gerais, não passo de uma tipa em busca do amor dos outros, visto o défice do mais importante, o amor próprio. Prova-se com o dia de hoje. Vejo-o vir direito a mim, ar desgrenhado, olhar de mel, inevitavelmente lembrou-me dois homens que passaram pela minha vida. A doçura de um, a malandragem de outro e ali fiquei, certamente com um fio de baba invisível a escorrer-me pelo beiço. Ele seguiu caminho, nem olhou duas vezes, e as palavras daqueles dois amigos não me saiam da cabeça. Já não há mesmo paciência para cabras carentes...
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Cafezadas
Resisti ao ritual do "cafezinho" até praticamente chegar à casa dos 30. Ainda hoje me irrita um pouco esse fenómeno social, mesmo que beba café prefiro dizer que vou ao "chá", só porque tenho a mania que sou diferente. Mas não pensem que bebo café porque acho o sabor uma maravilha, nada disso. Sabe-me tão mal, como a primeira vez que experimentei. Amarga-me tanto, ainda mais opto por não pôr açúcar que é para as tosses. É a minha dose de remédio, duas a três vezes ao dia. Facto é que o café que vulgarizamos como a simples Bica, desperta-me os sentidos, literalmente, destrava-me bastante, o que é fantástico para alguém que está sempre a pôr o travão a fundo na própria vida com medo de avançar.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Gato, Gato Meu...
A Gata, adora gatos, muitos...todos. Tarde comecei por adoptar um rafeiro e como um vício não consegui parar por ali. Porque os animais tornam-nos melhores pessoas, arrancam o que de melhor há em nós, e eu queria mesmo ser boa pessoa, tinha três maravilhosos felinos em casa. Havia dias, há janelas, mais parecia um desfile. Ora um se pavoneava ao sol, para logo aparecer o outro, enquanto os olhos dos transeuntes se fixavam fascinados. Mas alimentam-nos a quê? São lindos! - Ouvíamos do lado de dentro da janela e os bichanos continuavam de cauda arregalada, vaidosos até mais não. Hoje vivo sozinha, tenho apenas um gato, quando sempre quis ter um gatil inteiro, quero apenas um. E só me apercebi quando, desesperado um cibernauta me impingia uma gata abandonada, para servir de parceira do meu maravilhoso "gatídeo". Ciumenta disse, não, aqui a parceira sou eu, bolas! Vivemos quase maritalmente. Adoro ser o centro de todas as suas atenções, os nossos rituais, discussões e acima de tudo as nossa sonecas...
domingo, 6 de novembro de 2011
Gestão de complicada digestão
Não é um problema de hoje. Acentua-se a cada dia que passa e por isso assusta-me. Mal consigo lidar com o tempo entre mãos. Sinto-me prejudicada pelo facto de necessitar de sonos prolongados, em relação à maior parte das pessoas, são pelo menos 10 a 12 horas de um dia que vão para o galheiro, para quê? Para dormir, pois claro! Mas preciso. Facto é que há um privilégio inegável, declaro ao patrão apenas 3 horas diárias de trabalho, o que é isso comparando com os restantes assalariados? Uma vida maravilhosa cujo tempo deveria esticar. Mentira. Os que têm famílias de perder de vista, contas a fazer à vida, comida para pôr no prato e o sono dos justos a dormir, a esses o tempo dá-lhes quase para tudo. Eu, a desocupada, a tal que só finge que dá ao coirão três horas por dia, mal tempo tem para dar um jeitinho nas sobrancelhas, depilar as virilhas ou cortar as unhas dos pés.
sábado, 5 de novembro de 2011
Sensível e Tresloucada...
Dois sacos de lixo apinhados para levar à rua. Foi preferível mudar a roupa da cama, e depois do ninho estar mais quente, não resisti aninhar-me lá dentro com o meu patinhas. O lixo que se lixe, cheira mal, também eu, que não vejo águinha há uns dias valentes. Ali fiquei, a ver "Sensibilidade e Bom Senso" no Canal Hollywood. Recebo um SMS, ela anda pela Golegã, provavelmente alcoolizada no meio dos animais, de várias espécies...os cavalos por esta altura são os mais dóceis que se encontram por aquelas zonas. O meu animal, dá sinal de vida, quando sente uma lágrima minha no seu pêlo, acordou, o filme terminou. Um final feliz, ao menos isso. Ele lambe-me a cara e eu sorrio, quem se pode sentir realmente sozinha assim?
Aquele amor...
O amor que se tem pelas pessoas não se explica. Antes eu gostava de teorizar sobre isso. Anotava no meu bloco de notas, o porquê de estar profundamente apaixonada, destacava as imensas qualidades do meu amado, colocava-o num pedestal e assim vivia de corpo e alma. Com uma entrega tão cega, enganava-me tantas vezes no idealismo de uma relação que não passava disso mesmo, uma construção na minha mente em busca de um ideal, irreal. Hoje amo, talvez o ser mais imperfeito ao cimo da terra, é aquele amor que será para toda a vida. Creio ser um amor mutante, mas não deixará nunca de o ser, nunca deixará de ser aquele amor, inexplicável e sobretudo sincero.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Adeus, whatever
Não deve haver quem não goste do rapaz. Uma jóia da coroa. Sempre pronto a ajudar o próximo, de braços abertos para acolher quem lhe entra porta dentro, diz-se acima de qualquer coisa, leal. Quando o conheci, pensei, que sorte danada! Miúdo extraordinário que se estatela assim na minha vida, numa altura em que só vejo cães vadios com a mania que têm pedigree. Com a ligação noto-me mudar, nem sempre para melhor, esmoreço, deixo de acreditar nos meus sonhos de menina e moça e no meu olhar instala-se uma expressão de desalento. Há violência psicológica, muita, sem haver mas há. "Não podes ser assim", diz ele, cada vez que abro a boca para lhe falar do meu mundo cor de rosa. Sinto-me a definhar, porque já não sei quem sou. Quero matar o meu próprio coração para o agradar, mas não consigo e sofro por isso, frustrada. Acordo e este rapaz, bom moço a jóia da coroa, parece-me agora uma lesma insignificante que vai deslizando por ai sem causar grande impacto. Porque haveria de o fazer na minha vida?
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Má como as cobras?
Uso Dr. Martens, calças de ganga justas, t-shirts foleiras e dou uma de miúda má. Às vezes sento-me de perna aberta, a beber pelo gargalo e a dar por terminada uma conversa ao estilo "e se fosses mas é para o caralhinho". Abanco à parte, ponho os headphones e curto o meu som enquanto olho o mundo sem um sorriso nos lábios e um olhar de aço. Sei que há uma puta de uma ruga que não me larga a testa porque tenho esta forma de andar na rua, trombuda, desligada, assim meio fodida com o mundo. Depois, nos meus headphones ouve-se a electricidade vibrante de I Blame Coco, em mente uma festa de chá enquadrada num ceu cor de baunilha e quando, sem querer dou uma pisadela a alguém, desfaço-me em desculpas, porque no fundo a culpa há-de ser sempre minha...
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Romântica até mais...não...
É um orgulho tonto mas gosto de ser romântica. Não pelas flores ou o anel de rubi, mas sim o gesto, o olhar, o toque e a pele. E quando as pessoas que me rodeiam questionam esta forma de ser, apenas porque já passei a idade da inocência, desatino. Apaixonar-me hoje, é tão bonito como a primeira vez. Quero andar ao mesmo passo, lado a lado, ombrear, empernar, cair nos seus braços sem medo de cair e estatelar-me.Em meu redor já ninguém acredita nisso, só, faço o meu filme em jeito produção indie de baixíssimo orçamento. Não quero deixar morrer o sonho, acreditar que é possível, por isso, recolho prazer daqui e dacoli como um passarinho que dá pequenas bicadas para se alimentar.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
O reino dos animais
Gosto de paneleiros, mas um de cada vez. Duas bichas juntas já é carnaval, e nunca fui dada a essas fantochadas de plumas e purpurinas. Se bem que adoro "discosound", mas no recato do meu lar, com o lenço na cabeça e a esfregona na mão. Adoro ouvir um gay expressar-se, falar da sua sexualidade, hábitos, costumes e do rigor como gosta de se cuidar e ver os outros em seu redor bonitos. O larilas por natureza prima pela beleza no estar e é positivo relacionar-nos com alguém que emane estas energias vibrantes, mesmo que às vezes exagere nos termos e capriche em demasia "mulherrrrrrrr olha-me esse buço". E realmente não fosse o tal amigo gay, o que seria de nós, umas "monstrengas" que de tanto para fazer às vezes se esquece de si. É isto que temos a aprender com a bicheza, umbiguistas até mais não, primeiro eles...depois o resto, os mortais, as "pessoinhas"...
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